Era natal. Enfrentávamos o calor dos calores em pleno verão, na Veneza pernambucana. Ela sorria alto, enquanto ele escutava e falava calmamente sobre tudo que vinha em sua cabeça. Eram assuntos passados, futuros, presentes. Fora uma hora e ainda não haviam acabado, ao menos, a segunda cerveja. Eram melhores amigos já há algum tempo. Estavam no centro da cidade para conferir a programação de final de ano que a prefeitura disponibilizava àquela época. Os assuntos fluíam sem preocupação de longas pausas, pensamentos repentinos, longos, pequenos goles e gargalhadas sem explicação. As coisas foram acontecendo até que depois de um imenso silêncio olharam-se e sorriram-se. Ela olhou ainda sorrindo nos olhos de seu amigo e perguntou o que ele desejava para o ano seguinte, o que ele queria, tinha mais urgência para acontecer no ano sucessor. Ele parou, piscou os olhos de uma forma bem peculiar, exibiu pra sua amiga os seus olhos de pensamento. Ele disse que devido às várias desilusões, desejava aos dois. Ele e ela. Desejava que encontrassem ao próximo ano, o amor definitivo, o amor de suas vidas. Que o amor, que em suas vidas parecia mais está em constante viagem, descansasse suas malas em um quarto seguro. Ele desejou isso. E unicamente isso. Não desejou saúde ou qualquer outro clichê. Desejou amor e só. Ela gargalhou como se duvidasse. A vida andou com seus próprios pés.
Como se o natal tivesse ouvidos, num certo dia, do ano seguinte, soube-se a notícia que os dois estavam juntos. Juntos até a eternidade do próximo século, da próxima década, do próximo ano, da próxima semana. O amor então final e inesperadamente desarrumara as malas.
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