Estou cansado e preciso esquecer um pouco as coisas sérias. Será que ainda resta algum cigarro? Estou respirando alto, ou será o silêncio? Não. Os carros ainda fazem algum barulho. Carros! Engraçado que nunca tinha reparado nas rodas. Parecem engraçados quando os observo com elas. Faz tempo que não me apaixono. Mas o que isso tem haver com carros? Nossa! Estou ficando louco... Mas, será que endureci demais, ou tenho sido observado de menos? Bem. Mudar é tolice. Mas todos nós mudamos, horas. Somos forçados!Sim. Ainda resta uns dois ou três cigarros na carteira. Gostaria me recordar o dia e hora exatos que me viciei nisso. Prazer é uma coisa que tenho tido de menos ultimamente. Vai ver que, por isso, tenho procurado mais o tabaco.Ela me lembra alguém. Já a observo faz algum tempo. Preciso comprar outro isqueiro. Este, pelos menos deu pra acender, mas “qui sá” o próximo? Mas como posso agora só ter olhos pra esta garota? Ela nem é tão linda assim. Sinto-me estranho. Eu olho para ela como os cachorros olham para o forno de galetos. Mas o pior é que estou ciente disso, e não mudo. Ela brilha. Não tinha reparado em seus olhos castanhos, em seus cabelos negros, em seu sorriso frouxo. Eu a olho com a mesma intensidade de um assaltante. Eu a trago, eu a fumo incessantemente. Ela penetra em meus pulmões. Ela já parece estar indo. O que eu posso fazer para parar o tempo e segui-la sem medo? A perco em meus pensamentos.Na primeira ventania, foi-se o afago. Na segunda, foi-se o fogo. E inacreditavelmente, amei aquela mulher pelo tempo de um cigarro. Engraçado! Dia quente. Noite fria, mas não como gelo...
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
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