sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Homem Urubú

Feito um ser humano, ele pensava. Quase nunca se fazia racional. Àquela tarde ele teria mais motivos para ser. Ela parecia seu sonho. Ela era a esperança da descircularização. Arrumou seus cabelos crespos, perfumou seus ombros com o melhor que pôde comprar. No espelho se enxergava outros, com outras caras que não as suas, com outras sortes. Estremecia sempre que pensava na fragilidade de seus momentos felizes. Ajeitou as rosas que comprara, e as cheirou como se tivessem cheiro. Eram rosas vermelhas.


Vermelhos eram os céus daquela tarde-quase-noite. Abriu o portão e enchergou a calçada amiga de suas várias desilusões. Riu-se como despedindo-se dela. Sua cabeça só pensava. Era a calçada, a rua, as pontes, o mar e sua amada do outro lado. Olhou-a. Seu coração bateu. O automóvel sangrou inesperadamente. O dia chorou tripas e ossos quebrados naquele final de tarde vermelha. Parou de pensar. Anoiteceu.

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