sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Sonhar Com Cobra

Finalmente, eu vi! Eu vi! - Com esses olhos que os vermes hão de fartassem. Vi com um coração que não queria ver. Que não queria sentir. Nunca. O que sentiu àquele momento. Ainda naquele dia – De manhã – Ela falou que me amava. Que me amava! Entende? Não se passaram duas horas...

Até o corno aqui finalmente ver. Constatar que eu não estava louco, não estava! Todas as vezes que morria de ciúmes ao vê-la dissimulada. Linda. Vadia. Vadia!

Em uma lanchonete, não muito longe desse bar, ao persegui-la. Notei logo alguma coisa muito estranha. Não durou muito a vê-la nos braços e nas mãos do filho da puta. Eu sabia e não me vanglorio disso. Eu não estava louco? Não estava!

Na hora, pensei em sair correndo pra cima deles. Matá-los. Mas por aquele momento me vi paralisado. Estático como uma bomba relógio. Milhões de situações pairaram sobre a minha cabeça. Uma mais deliciosa que a outra. Comecei, sem saber por que, a degustar cada acontecimento.

Saíram da lanchonete, dentro de um Monza Azul Metálico. De começo hesitei, mas continuei seguindo-lhes. Um motel. Intrigantemente, já não sentia nada. Só imaginava. A certa distância esperava. Na saída, muito satisfeitos, despediram-se. Ela pegou um taxi. Ele tomou seu destino com seu carro. Segui-o.

Morava a apenas dois bairros de distância, do nosso. Estacionou o carro em frente de sua casa e foi comprar cigarros, bem perto. Na frente da casa dele, esperava-o eu a sua volta. Assim que ele voltou, com um cigarro de menta na boca, perguntei a ele se poderia ajudar-me com o pneu do carro. Surpreendi suas costelas com uma pistola. – O que é isso? – Perguntou. Disse-lhe que só queria levá-lo a um passeio. Só queria ter uma conversa.

- A vista do mar é linda daqui, não achas?

- Você é louco? O que está fazendo?

- Sabe que não é a primeira vez que me perguntam isso. Na verdade, já chegaram quase a me convencer.

- Pára com isso, cara. Eu tenho família. – Nesse momento senti ainda mais raiva. Aproximei-me de sua pele branca e olhos castanhos. Observei-os como uma obra de arte. Limpei a lágrima que caia de um dos olhos do frouxo com a pistola. Podia sentir o bafo de buceta que se misturava com o cheiro de cigarro exalado de sua boca.

- Sai do carro. Gritei. – Sai!

- Não faz nada comigo, não, cara. Eu não sei quem é você. Por que faz isso?

Tirei uma corda da mala do carro. Joguei nele e pedi para amarrar os pés. Mijando-se atendeu a meu singelo pedido.

-Pra comer a mulher dos outros tu é muito homem não é imbecil!

Sua face gelou. Se já não entendia tudo, de quase tudo já se entendia o porque de passar por aquela situação.

- Não cara, eu posso explicar. Eu...

Certificava-me se havia prendido mesmo as pernas com as cordas quando, notei uma brecha no nó. Plantei-lhe uma semente na perna e fiz-lhe brotar uma dor. Chorou de dor. Mandei que o engolisse. As veias saltavam sobre sua testa.

- Pensei em matar você de uma vez só. Por todas. – Falei - Pensei em arrancar-lhe a língua e os braços para que nunca mais pudesses se comunicar. Todavia ao ver seu desespero, ao ver sua perna sangrando, algo me fez perceber que todo o ser humano necessita de uma segunda chance. Não vou mentir que não desejo matá-lo. Mas estou sendo honesto com você.

Com aquela fisionomia de dor, ensaiou ainda um sorriso. O canalha.

O cartucho do revólver estava cheio. Com exceção da última bala que utilizei em sua perna.

- Vamos brincar de roleta russa. Aqui existem oito buracos e sete balas. Se o destino quiser que você viva, não interferirei. Deixarei você ir embora. Dou minha palavra. Ajoelhe-se.

Ele o fez. Girei e puxei o gatilho. Com os olhos fechados o idiota tremia. Justamente a porra do buraco vazio! Ao sentir que tirara a sorte grande, sorriu um lindo sorriso. Descarreguei as sete balas restantes em sua cabeça com a esperança que de uma vez por todas realizasse o que é ser atraiçoado.

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